Manoel Gonçalo: O Líder Sindicalista
Filho de agricultores, Manoel Gonçalo é um panelense do distrito Cruzes, nasceu em 15 de outubro de 1935, membro fundador e ex-presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais de Pernambuco (Fetape), e também do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Panelas-PE.
O Líder Sindicalista
O líder sindical Manoel Gonçalo Ferreira, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Panelas (PE) e da Federação dos Trabalhadores Rurais de Pernambuco (Fetape), foi preso e barbaramente torturado nos cárceres da ditadura logo após o golpe militar de 1964. Pequeno proprietário agrícola, Manoel Gonçalo recebera sua primeira formação política no âmbito do Serviço de Orientação Rural de Pernambuco (Sorpe), organismo vinculado à Igreja Católica.
O primeiro presidente desse sindicato, fundado em 2 de setembro de 1961. Quando houve a criação da Fetape, em junho do ano seguinte, Manoel Gonçalo ocupou a presidência da entidade, controlada diretamente pelo Sorpe. Foi reconduzido ao comando da federação nas eleições seguintes e dirigiu a grande greve de canavieiros de 1963, que resultou na assinatura do Acordo do Campo e na conquista da tabela de tarefas.

Com o golpe militar, Manoel Gonçalo teve de renunciar naquele mesmo ano, em meio à ofensiva no campo promovida pelo Exército e às intervenções na maior parte dos sindicatos de trabalhadores rurais do Nordeste. A federação reunia então 32 sindicatos reconhecidos pelo Ministério do Trabalho e outros 36 postulantes ao reconhecimento. Os militares ocuparam a sede da Fetape e o prenderam. Nessa época, era vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e estava ligado à Ação Popular (AP), organização surgida no início dos anos 1960.
“O Sindicalista carregou ao longo da vida as sequelas emocionais das torturas sofridas durante o Regime Militar.”
Manoel Gonçalo permaneceu encarcerado entre os meses de abril a agosto de 1964, sendo libertado no final daquele mês com outros camponeses. De acordo com seus companheiros de atividade sindical, ele nunca se recuperou totalmente das sequelas físicas e psicológicas que resultaram das torturas sofridas na prisão.
Após a renúncia de Manoel Gonçalo da federação, Severino Manoel Soares, líder sindical de Timbaúba (PE), conhecido como “Biu de Timbaúba”, segundo secretário da Fetape, ocupou a presidência da entidade até 1966. Pouco tempo depois, ele próprio seria vítima de violências cometidas a mando de senhores de engenho.

Legado Silenciado
O líder sindicalista “Mané Gonçalo” como era conhecido, teve forte participação na luta dos trabalhadores rurais na região. Mas parte de sua história e documentos de luta foram perdidos ou ocultados pela censura da época.
Mané Gonçalo faleceu em 21 de agosto de 2006, com 70 anos de idade, após um suposto assalto em sua residência, no sítio Santa Luzia (zona rural do distrito Cruzes), deixando uma certidão de óbito com causa da morte ilegível.
No mês de maio do ano de 2010, a família de Manoel Gonçalo Ferreira recebeu um valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), o pagamento foi realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos de Pernambuco, como indenização ao ex-preso político, dinheiro que Mané Gonçalo nunca veio a desfrutar.

“Há homens que lutam e são bons. Há homens que lutam durante anos e são muito importantes. Porém, há homens que lutam durante toda a sua vida, esses são os imprescindíveis”.
Ana Carneiro; Marta Cioccari. Retrato da Repressão Política no Campo – Brasil 1962-1985: Camponeses torturados, mortos e desaparecidos. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), 2011.
