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Poesia: HERANÇA

    Herança

    Meus filhos pai morrem em campos
    Gramados de bomba
    Limitados de cerca
    Oprimidos de tanques
    Fragmentados pelos canhões.
    Furados de bala
    Surrados de fogo
    Manchados de pólvora
    Debatendo-se de sangue
    Decepados de corpo.
    Sugados de ira
    De traumáticas guerrilhas
    A sucumbir o que derrama
    O sangue que acaba é o mesmo que clama
    Uma luta cega
    De filhos sem metas
    Por amor a pátria? Não, Por amor a guerras!
    O que me cabe nessa herança país?
    Se você não assumiu sua língua nativa
    Se sua riqueza maior foi vendida
    Se você repreendeu a forma de viver dos indígenas?
    Se você pré-conceituou o legado
    Se seus bens foram exportados
    Se escravizastes o passado?
    Se você oprimiu o cultivado
    Se a cultura e a religião foram condenados
    Se seu valor cogitou-se no mercado
    Se até mesmo a história saiu de outro modo contado
    E a migalha que sobrou não cabe no teu inventário
    Qual parte da herança me deixa-se milionário?
    Se teu rastro é sonegado
    Pelo abuso do teu reinado
    Que me deixa esse valor
    Que a herança me doou
    Como homem condenado.
    Me tira-se tudo? Não ainda me resta memoria
    porque carrego em meu gene
    toda origem dessa gente
    bravos heróis anônimos, ocultados da nossa História.

    Autora: Marta Gomes

    Poesia apresentada pela autora em 12/10/2014 no encontro realizado por membros da R.C.P. aos pés da serra da bica, local histórico e rico culturalmente da cidade Panelas-PE.


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